Entrada no confinamento exige atenção para preservar saúde e desempenho dos bovinos

Transporte, ambiência, adaptação à dieta e formação de novos lotes tornam os primeiros dias desafiadores para a eficiência da terminação.
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A entrada no confinamento concentra, em um curto período, uma série de mudanças na rotina dos bovinos. Transporte, desembarque, ambiência e introdução a uma nova dieta ocorrem praticamente ao mesmo tempo. Nesse sentido, os primeiros dias do confinamento exigem atenção especial ao manejo e à sanidade do rebanho.

Essa etapa foi acompanhada de perto pelo Confina Brasil em mais um ano de expedição. Nas propriedades visitadas, a chegada dos lotes evidencia que o desempenho no confinamento não depende apenas da dieta fornecida. A recepção dos animais e os cuidados durante o período de adaptação também fazem parte dos fatores que podem influenciar o desempenho produtivo.

O desafio, na realidade, começa antes mesmo do desembarque. O tempo de viagem e lotação do transporte influenciam o nível de desafio enfrentado na chegada. Há lotes que percorrem poucos quilômetros em poucas horas e outros submetidos a deslocamentos mais longos e desafiadores. Por isso, a avaliação das condições de chegada é um dos primeiros passos para definir os cuidados necessários.

Nesse momento, a inspeção do lote ajuda a identificar bovinos que apresentem alterações decorrentes do transporte ou sinais clínicos que demandem atenção. Nos dias seguintes, o acompanhamento precisa continuar, visto que os bovinos foram introduzidos à uma nova dieta e uma nova rotina de manejo e, em alguns casos, passaram a conviver em um novo grupo.

Estresse pode impactar sobre consumo, imunidade e desempenho

Parte desse desafio está relacionada à resposta fisiológica ao estresse. O cortisol participa dessa resposta e, quando permanece elevado diante de situações estressantes, pode repercutir negativamente sobre aspectos importantes para a terminação, como consumo e resposta imunológica.

Bruno Freitas, gerente de marketing da Ourofino Saúde Animal, em entrevista à DBO explica que esse efeito ocorre justamente sobre fatores que o confinamento procura preservar. “A gente deseja que o bovino se alimente, beba água e tenha uma boa imunidade. O cortisol é o oposto disso”, afirma.

Por isso, reduzir os fatores de estresse é imprescindível para realizar um bom manejo de entrada. Garantir acesso à água de qualidade e ao alimento, proporcionar condições adequadas de adaptação e ambiência e monitorar o comportamento dos bovinos são medidas que ajudam a identificar precocemente aqueles que não estão respondendo como esperado.

A ronda sanitária ganha importância nesse processo. A avaliação deve considerar comportamento, procura pelo cocho, locomoção, condição das fezes e possíveis sinais clínicos. Bovinos mais afastados do lote, que deixam de procurar o cocho ou que pouco se locomovem, por exemplo, precisam ser identificados rapidamente.

“A gente está falando do ganho coletivo, mas tem que olhar o bovino individualmente”, destaca Fernando Dambrós, gerente de marketing da Ourofino Saúde Animal.

Sanidade começa no protocolo de entrada

Entre os problemas sanitários que merecem atenção estão as doenças respiratórias bovinas (DRB). Junção de bovinos de diferentes origens, mudanças ambientais e maior concentração de bovinos por área podem aumentar o desafio sanitário justamente em um período no qual o novo rebanho ainda está se adaptando ao sistema.

Na entrevista, a Ourofino aponta as doenças respiratórias como um dos principais desafios nessa etapa e destaca também outros pontos de atenção, como clostridioses, verminoses, ectoparasitas, problemas de adaptação ao cocho e alterações locomotoras. Por isso, o protocolo sanitário de entrada deve ser definido de acordo com a origem dos bovinos, histórico sanitário e desafios de cada propriedade.

A verminose merece atenção particular porque nem sempre produz sinais facilmente perceptíveis, mas pode comprometer o desempenho durante a terminação. Segundo Dambrós, dependendo do grau de infestação, é possível ocorrer impactos de 200g a 400g no ganho diário de bovinos submetidos a desafios parasitários.

Realizando uma simulação com os dados obtidos no Confina Brasil de 2025, em que a média geral de dias de cocho por ciclo foi de 106,7 dias, o ganho médio diário foi de 1,6 kg/cab./dia e o rendimento de carcaça de 55,6%. Ao considerar uma perda de 200g no ganho diário devido à verminose, o animal deixaria de ganhar 11,9 kg (0,8 @). No preço atual (08/10) do boi gordo à vista em São Paulo de R$ 365,00, isso representa uma perda de R$ 288,72 por animal. Se considerarmos um giro no confinamento de 1.000 animais, a enfermidade desencadearia um prejuízo de mais de R$ 285 mil para a operação O impacto ajuda a dimensionar como problemas sanitários, mesmo quando não apresentam sinais evidentes, podem interferir no resultado produtivo do confinamento. Por isso, o acompanhamento dos animais desde a chegada e a definição de protocolos adequados aos desafios de cada lote são etapas importantes para preservar o potencial de desempenho ao longo da terminação.

Manejo e tecnologia devem funcionar de forma complementar

A mitigação dos impactos do estresse, portanto, não depende de uma única intervenção. Sanidade, nutrição, disponibilidade e qualidade da água, conforto, adaptação, treinamento da equipe e acompanhamento diário precisam funcionar de maneira integrada.

A tecnologia pode complementar esse conjunto de medidas. Já existem, por exemplo, ferramentas de monitoramento capazes de auxiliar na identificação de alterações no comportamento dos lotes, assim como estratégias voltadas à modulação da resposta dos bovinos ao estresse.

É nesse contexto que entram tecnologias baseadas em substâncias apaziguadoras bovinas, utilizadas com o objetivo de amenizar a percepção ao estresse, como é o caso do Ferappease. A Ourofino incorporou essa estratégia aos protocolos que acompanha em confinamentos brasileiros, associando-a às demais medidas adotadas durante a entrada dos lotes.

Segundo a empresa, avaliações conduzidas em 18 confinamentos brasileiros, envolvendo mais de 15,8 mil bovinos, apresentaram resultados promissores relacionados ao ganho diário de carcaça, eficiência biológica e redução dos dias necessários para produzir uma arroba.

O resultado não deve ser atribuído a uma intervenção isolada. O bovino entra na fase final do ciclo produtivo com uma janela relativamente curta para expressar seu potencial. Por isso, uma entrada bem planejada passa pela combinação entre prevenção, observação e intervenção, quando necessário. Quanto mais cedo alterações sanitárias, comportamentais ou de consumo forem identificadas, maiores são as condições para corrigir o problema antes que ele se transforme em perda de desempenho.

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