A interação entre agricultura e pecuária tem se tornado cada vez mais presente nas propriedades brasileiras. Dados do Confina Brasil mostram que a proporção de pecuaristas que também atuam na agricultura passou de 55,0%, na primeira edição da expedição, para 71,7% em 2025, avanço de 16,7 pontos percentuais. Essa aproximação amplia as possibilidades de integração entre as atividades e de gestão dos recursos dentro da porteira. Em sistemas de confinamento, onde a qualidade do concentrado e a oferta de volumoso são fatores determinantes para o desempenho dos bovinos, o uso de tecnologias capazes de gerar dados e aumentar a previsibilidade da produção agrícola ganha relevância.
Durante o Confina Brasil, pesquisa expedicionária da Scot Consultoria que visita e coleta dados de sistemas intensivos de produção de bovinos de corte pelo país, a adoção de ferramentas digitais, tecnologias de automação e agricultura de precisão tem sido observada como uma estratégia para otimizar o controle das operações e o planejamento nutricional.
A agricultura de precisão permite identificar diferenças dentro de uma mesma área produtiva e aplicar insumos de acordo com a necessidade de cada região do talhão. Por meio da análise de dados de solo, mapas de fertilidade e imagens da lavoura, sistemas de taxa variável ajustam automaticamente a quantidade de fertilizantes e corretivos que deverão ser aplicados. Assim, além de ampliar o controle sobre os custos de produção da lavoura, os dados gerados podem subsidiar decisões do produtor, especialmente no planejamento da produção e do uso dos alimentos destinados ao rebanho.
Dados transformam informações do campo em decisões
O avanço da conectividade também tem permitido reunir informações geradas pelas máquinas em plataformas de gestão, auxiliando o produtor no acompanhamento das operações e no planejamento das próximas etapas da produção.
Para otimizar a gestão, a John Deere tem desenvolvido plataformas que conectam as máquinas da fazenda a um sistema para concentrar os dados e permitir que tudo seja operado remotamente. O John Deere Operations Center organiza dados relacionados à área trabalhada, consumo de combustível, desempenho das máquinas, a eficiência das operações e até a produtividade da lavoura. Essas informações possibilitam análises históricas e auxiliam na tomada de decisão ao longo da safra.
Na produção de silagem, por exemplo, o acompanhamento dos dados de colheita permite comparar áreas, híbridos e teor de umidade, contribuindo para decisões mais assertivas sobre adubação, população de plantas e ponto de colheita.
Qualidade da silagem acompanhada em tempo real
Além da quantidade produzida, o monitoramento da qualidade da forragem durante a colheita desencadeia uma evolução importante para o planejamento nutricional dos confinamentos. Tecnologias como o HarvestLab, que utiliza espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS), permitem analisar indicadores bromatológicos como matéria seca, amido, proteína e fibras durante a operação.
O sistema também pode auxiliar na regulagem da máquina, com ajustes como comprimento de corte e dosagem de inoculantes, buscando maior uniformidade na produção da silagem. Com essas informações, o nutricionista consegue tomar decisões assertivas sobre a produção e a inclusão deste alimento na dieta.
De acordo com a empresa, o HarvestLab transforma a colhedora de forragem em um ‘laboratório sobre rodas’, capaz de coletar informações valiosas da lavoura em tempo real e contribuir para uma silagem mais consistente e previsível.
Planejamento alimentar baseado em dados
A aproximação entre agricultura e pecuária cria sistemas produtivos mais integrados, nos quais a produção de alimentos para os bovinos passa a ser orientada por informações coletadas no campo.
Com histórico de produtividade e qualidade da forragem, o produtor pode melhorar o planejamento dos silos, a formulação das dietas e as estratégias de aquisição de insumos. Esse conjunto de informações reduz incertezas e aumenta a segurança do sistema produtivo. “O grande valor dos dados está em transformar as informações coletadas no campo em decisões mais rápidas, precisas e rentáveis para o produtor”, destaca a John Deere.
A agricultura de precisão mostrou como a geração e a interpretação de dados podem transformar a maneira de planejar as operações no campo. Na pecuária, os avanços seguem na mesma direção, com tecnologias que permitem acompanhar cada vez mais variáveis do sistema produtivo.
Da lavoura ao cocho, a integração de dados aproxima agricultura e pecuária e amplia a capacidade de planejamento do produtor. A tecnologia entra como ferramenta de apoio, enquanto as decisões permanecem nas mãos de quem conhece e conduz o sistema produtivo.
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