Os confinamentos brasileiros vêm passando por uma transformação na busca por maior eficiência operacional e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. No levantamento realizado pela pesquisa expedicionária Confina Brasil, em 2025, 80,4% das propriedades relatam desafios com a mão de obra no campo e em sistemas produtivos cada vez mais complexos, ferramentas tecnológicas voltadas ao manejo nutricional, controle de processos e gestão de dados ganham espaço nas propriedades.
Durante as visitas realizadas pelo Confina Brasil, pesquisa expedicionária da Scot Consultoria que acompanha sistemas de produção intensiva e semi-intensiva de bovinos de corte no país, a evolução do uso de máquinas e ferramentas digitais tem sido um dos pontos observados nas operações. A adoção de equipamentos mais precisos contribui para padronizar atividades, reduzir desperdícios e ampliar o controle sobre o fornecimento do trato.
A Casale é parceira da expedição desde o primeiro ano e já acompanhou mais de 700 visitas a propriedades rurais em 17 estados brasileiros, e destaca uma mudança na percepção do pecuarista sobre o papel dos equipamentos dentro do sistema produtivo ao longo desses 7 anos da pesquisa. “O misturador deixou de ser visto apenas como um equipamento para distribuir alimento e passou a ser uma verdadeira ferramenta de precisão dentro do sistema produtivo. Ao mesmo tempo, vimos crescer a demanda por máquinas de maior capacidade, produtividade e praticidade na operação, especialmente diante de uma realidade com equipes cada vez mais enxutas nas propriedades”, afirmou.
Precisão no trato e gestão de dados
Não é novidade, o manejo nutricional é um dos pilares mais importantes dentro do confinamento. Evitar variações no fornecimento da dieta é imprescindível para precaver impactos no desempenho dos bovinos e na eficiência econômica da operação. Nesse cenário, sistemas que permitem acompanhar informações do processo ajudam o gestor a tomar decisões mais assertivas.
Tecnologias como sistemas de telemetria e monitoramento permitem acompanhar dados relacionados ao funcionamento dos equipamentos, como horas de utilização, avisos de manutenção preventiva, temperatura do sistema e velocidade de operação. “Hoje, existe uma exigência crescente por balanças inteligentes e sistemas que permitam monitorar e auditar o trato, o que permite mais controle, eficiência e segurança para a tomada de decisão”, destaca a Casale.
Além de contribuir para o acompanhamento da máquina, a digitalização dos processos auxilia na padronização do trato, reduzindo variações operacionais e criando condições para que o planejamento nutricional seja executado de forma mais próxima ao previsto, mantendo assim a rotina de trato dos bovinos.
O equipamento certo depende das características de cada operação
O dimensionamento dos equipamentos utilizados no trato deve partir das características de cada confinamento. Número de animais, insumos utilizados, composição e densidade da dieta, consumo dos lotes e volume diário fornecido estão entre os fatores que influenciam diretamente essa definição.
Em sistemas que demandam maior processamento de fibra longa, como feno e pré-secado, por exemplo, os vagões verticais podem apresentar vantagens pela capacidade de processamento. Já em dietas com tamanhos de partículas reduzidos, que utilizam de silagem e coprodutos de milho ou algodão, os modelos horizontais podem oferecer maior rapidez de mistura e preservação da estrutura da fibra.
Além da demanda alimentar, aspectos operacionais também precisam ser considerados, como o tempo disponível para o trato, a potência dos tratores e a estrutura da propriedade. A combinação desses elementos contribui para adequar a capacidade dos equipamentos à rotina do confinamento, favorecendo maior eficiência operacional.
Automação como tendência para os próximos anos
A evolução tecnológica dos confinamentos aponta para sistemas cada vez mais conectados, capazes de integrar informações e auxiliar na tomada de decisão. A automação das etapas do trato aparece como um novo passo para aumentar a previsibilidade das operações e reduzir falhas relacionadas ao processo.
A parceira do Confina Brasil, dês da primeira edição, acredita que a tendência é avançar para soluções mais inteligentes e integradas, capazes de automatizar decisões e ampliar a eficiência operacional, mantendo o foco em executar o manejo nutricional de forma precisa.